Boston deu 69,77% a Flávio no 1º turno; Brasil chega ao 2º turno
No posto de votação de Boston, Flávio recebeu 11.228 votos válidos. Pesquisa nacional registrada no TSE mostra empate técnico entre os candidatos.
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No primeiro turno de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 11.228 votos no posto eleitoral de Boston, o equivalente a 69,77% dos votos válidos. Luiz Inácio Lula da Silva teve 3.919 votos (24,35%). A vantagem local foi ampla; a disputa nacional, porém, chegou ao segundo turno em equilíbrio bem mais estreito.
Os números de Boston somam 16.092 votos válidos. O posto registrava 53.358 eleitores aptos, dos quais 16.390 compareceram. Foram 175 votos em branco e 123 nulos. Assim, cerca de 30,7% do eleitorado cadastrado compareceu, enquanto a abstenção ficou perto de 69,3%.
O que os números de Boston mostram — e o que não mostram
Boston é um posto de votação no exterior. O resultado reúne as seções eleitorais vinculadas àquele posto; não é uma apuração por endereço residencial e o TSE não apresenta esse número como um recorte de todos os brasileiros que moram em Massachusetts. A votação fora do país é para presidente e vice-presidente. Por isso, a forma mais precisa de descrever o resultado é dizer que os eleitores do posto de Boston escolheram Flávio Bolsonaro por ampla margem no primeiro turno.
O resultado do posto contrasta com a fotografia nacional. Na totalização divulgada pelo TSE, Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. A diferença nacional foi de menos de dois pontos percentuais; em Boston, a distância entre os dois passou de 45 pontos. São eleitorados e contextos diferentes, e o voto de um posto no exterior não deve ser tratado como previsão do resultado no Brasil.
A abstenção também merece atenção. Mais de dois terços dos eleitores aptos vinculados ao posto não compareceram. O dado não explica por que cada pessoa faltou, mas mostra que os votos apurados representam apenas uma parte do eleitorado cadastrado. A disputa de Boston, portanto, descreve quem votou — não a preferência de todos os brasileiros da região.

Pesquisa divulgada hoje aponta empate técnico
A rodada BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 19 de outubro, ouviu 2.002 pessoas por telefone entre os dias 16 e 18, em todas as 27 unidades da Federação. No cenário estimulado de segundo turno, Flávio aparece com 46,5% das intenções de voto e Lula com 45,9%; 4,7% dizem votar em branco ou nulo e 2,9% não souberam ou não responderam.
Quando os números são convertidos em votos válidos — excluindo brancos, nulos e indecisos —, a pesquisa indica 50,3% para Flávio e 49,7% para Lula. A diferença de 0,6 ponto está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O resultado é, portanto, de empate técnico, não uma vantagem estatisticamente conclusiva. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-04499/2026. O tribunal registra as pesquisas; quem realiza e divulga este levantamento é a Nexus, contratada pelo BTG Pactual.
Polymarket: vantagem nas cotações, outra medida
Na consulta ao mercado presidencial do Polymarket feita às 20h, horário de Boston, em 19 de outubro, as cotas de “sim” estavam em aproximadamente 76,5 centavos para Flávio e 23 centavos para Lula. Esses preços são uma leitura das posições negociadas por participantes do mercado e mudam continuamente. Não são uma pesquisa com eleitores e não substituem a apuração oficial nem a margem de erro de um levantamento.
O contraste é marcante: a pesquisa nacional da Nexus/BTG coloca os candidatos dentro da margem de erro, enquanto o mercado de previsões atribui maior probabilidade de vitória a Flávio. Uma medida pergunta a eleitores sobre sua intenção; a outra expressa o preço pelo qual participantes negociam resultados futuros. A votação de Boston, por sua vez, é um resultado fechado do primeiro turno para aquele posto. As três leituras respondem a perguntas diferentes.
O segundo turno será decidido no Brasil
O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro. A disputa entre Lula e Flávio tem mobilizado a campanha e ganhou nova repercussão após o debate na Band, tema que o EmBoston acompanhou nesta cobertura. Também publicamos uma leitura anterior da pesquisa Vox Brasil, cuja coleta terminou antes do debate.
Para quem vota no exterior, a comparação mais útil é entre o resultado do posto em que votou e a disputa presidencial nacional — mantendo claro que um não representa automaticamente o outro. Em Boston, Flávio liderou com folga entre os votos válidos apurados. No país, a nova pesquisa mostra uma corrida apertada. E, no Polymarket, o mercado precifica um cenário diferente da pesquisa. Só as urnas do segundo turno dirão como essa diferença se resolve.
Fontes e método: boletins de urna do primeiro turno, no Portal de Dados Abertos do TSE; consolidação das seções do posto de Boston; totalização nacional publicada pelo TSE; ficha da pesquisa Nexus/BTG; e mercado presidencial do Polymarket. Cotações consultadas em 19 de outubro, às 20h EDT.
Fonte:Tribunal Superior Eleitoral (TSE)(abre em nova aba)



