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Greve no Brigham and Women's: 4 mil enfermeiros podem parar em 12 de novembro

Sindicato e hospital voltam a negociar em 9 de novembro; paralisação por tempo indeterminado começa às 7h do dia 12 se não houver acordo

Da Redação

Jornalista

Publicado em

5 min de leitura

Entrada de um prédio do Brigham and Women's Hospital, com fachada de vidro e colunas, em Boston
Neste artigo

A greve no Brigham and Women's Hospital tem data marcada. Mais de 4 mil enfermeiros do hospital, em Boston, podem cruzar os braços a partir de quinta-feira, 12 de novembro, às 7h. A paralisação não tem data para acabar. O aviso oficial foi entregue no domingo, 1º de novembro, pela Massachusetts Nurses Association (MNA), o sindicato que representa a categoria.

Antes disso, as duas partes voltam a negociar. A reunião está marcada para segunda-feira, 9 de novembro. Se não houver acordo, a greve começa três dias depois. A informação foi confirmada pelo sindicato e pelo próprio hospital, que faz parte do sistema Mass General Brigham (MGB).

O hospital é um dos maiores de Massachusetts e atende muitos imigrantes da região. Por isso, a notícia interessa a brasileiros que fazem tratamento, têm consulta marcada ou trabalham na área da saúde em Boston.

Por que os enfermeiros decidiram parar

Os enfermeiros rejeitaram em 23 de outubro a proposta que o hospital chamou de "última, melhor e final". Segundo a MNA, a votação aconteceu depois de reuniões com os associados e longa discussão sobre a oferta.

Em nota, o sindicato listou o que a categoria quer no novo contrato:

  • limites ao uso de enfermeiros temporários, para manter a continuidade do atendimento;
  • um adicional para quem precisa trocar de setor durante o turno;
  • mais opções de plano de saúde para os próprios enfermeiros;
  • uma tabela salarial competitiva para profissionais novos e experientes.
"Estamos prontos para a greve, mas igualmente preparados para negociar um contrato justo que proteja o atendimento aos pacientes, respeite os enfermeiros e evite a paralisação", afirmou Kelly Morgan, enfermeira obstétrica e presidente do comitê de negociação da MNA no Brigham.

Morgan disse ainda que os enfermeiros estão decididos a lutar "pelo tempo que for preciso" pela segurança dos pacientes. O sindicato descreve a paralisação como a maior greve por tempo indeterminado da história de Massachusetts.

Portão de ferro com o número 221 na entrada do Brigham and Women's Hospital, na Longwood Avenue
Portão do Brigham and Women's Hospital na área médica de Longwood, em Boston. Crédito: jimcintosh/Wikimedia Commons (CC0)

O que diz o hospital

O Brigham and Women's Hospital confirmou ter recebido o aviso de greve. Em comunicado, a direção disse que esperava evitar uma nova paralisação. Mesmo assim, afirmou estar preparada para manter o atendimento seguro durante a greve.

"Estamos preparados para continuar oferecendo atendimento seguro e de alta qualidade durante qualquer paralisação, com base na nossa experiência e num amplo planejamento de contingência", diz a nota do hospital.

A versão do hospital é diferente da do sindicato em um ponto central. Para a direção, os temas pendentes tratam apenas de salários e benefícios, como o plano de saúde. O hospital afirma que nenhuma proposta sobre segurança dos pacientes ou do local de trabalho segue sem solução.

O que a última proposta oferecia

A oferta rejeitada foi apresentada em 10 de outubro. De acordo com o hospital, ela veio depois de 27 rodadas de negociação ao longo de 11 meses. Algumas sessões duraram mais de dez horas.

Segundo o comunicado da MGB, a proposta incluía:

  • um novo degrau de 2,5% no topo da tabela salarial em cada ano do contrato, para os enfermeiros mais antigos;
  • a manutenção dos aumentos de 5% entre os degraus da tabela atual;
  • as mesmas porcentagens de contribuição no plano de saúde para quem já trabalha no hospital;
  • 20 novas vagas de 36 horas na equipe volante, que cobre diferentes setores;
  • um fundo de US$ 1 milhão por ano para formação profissional.

O contrato proposto valeria até 30 de setembro de 2028. O hospital diz investir cerca de US$ 750 milhões por ano em salários e benefícios da enfermagem. Como os enfermeiros votaram contra, nenhum desses pontos está em vigor.

O que a greve no Brigham and Women's muda para os pacientes

Até agora, o hospital não anunciou o cancelamento de consultas ou cirurgias. A direção fala apenas em plano de contingência. Também promete divulgar novidades depois da reunião de 9 de novembro.

Quem tem atendimento marcado no Brigham a partir de 12 de novembro deve ficar atento. Algumas medidas simples ajudam a evitar surpresas:

  • confirme a consulta ou o procedimento com o hospital alguns dias antes;
  • mantenha o telefone e o e-mail atualizados no cadastro do paciente;
  • acompanhe os comunicados oficiais no site de notícias da Mass General Brigham;
  • em caso de emergência, procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue para o 911.

Os próximos passos

O futuro da greve no Brigham and Women's depende agora da reunião de 9 de novembro. Um acordo nesse encontro pode cancelar a greve. Sem acordo, os enfermeiros planejam sair às 7h do dia 12.

A data inicial da paralisação era 14 de outubro. O sindicato suspendeu o plano depois que o hospital apresentou a oferta final. Agora, com a proposta rejeitada, a MNA entregou um novo aviso com dez dias de antecedência.

A Em Boston vai acompanhar a negociação e publicar as atualizações. Enquanto isso, outros temas de saúde estão em pauta no estado, como as mudanças no MassHealth que exigem atenção de imigrantes. Na área hospitalar, o Boston Children's também foi notícia com a doação de US$ 200 milhões anunciada pelos Celtics.

Fontes: Massachusetts Nurses Association e Mass General Brigham.

Fonte:Mass General Brigham(abre em nova aba)

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