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Itamaraty atrasa repasses a consulados e embaixadas em 13 países

Funcionários relatam atraso no pagamento de salários e falta de recursos para despesas das unidades brasileiras no exterior. Governo prevê regularização nesta semana.

Da Redação

Jornalista

Publicado em

Atualizado em

6 min de leitura

Palácio Itamaraty em Brasília
Neste artigo

O atraso na liberação de recursos do governo federal atingiu representações diplomáticas brasileiras no exterior e provocou reclamações de funcionários de embaixadas e consulados. Segundo relatos divulgados em 30 de outubro, mais de 20 postos em 13 países teriam sido afetados por problemas nos repasses destinados ao pagamento de salários e às despesas de funcionamento.

Funcionários de diferentes unidades receberam avisos de que os recursos previstos para sexta-feira, 30 de outubro, não seriam disponibilizados na data programada. A situação gerou preocupação entre trabalhadores que dependem desses pagamentos para despesas pessoais, como aluguel e contas domésticas.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores atribuíram a demora a questões burocráticas relacionadas ao contingenciamento orçamentário do governo federal. A previsão informada inicialmente era de liberação dos recursos durante a primeira semana de novembro.

Até 3 de novembro, não havia confirmação pública, nas fontes consultadas, de que todos os pagamentos pendentes tivessem sido regularizados.

Mais de 20 postos brasileiros teriam sido afetados

Os relatos apontam que o problema alcançou mais de 20 representações brasileiras distribuídas por 13 países. A lista completa das unidades atingidas, entretanto, não foi divulgada oficialmente.

O atraso envolve duas despesas diferentes. A primeira é o pagamento dos trabalhadores, especialmente dos funcionários contratados nos países onde funcionam as representações.

A segunda corresponde aos recursos usados para manter as unidades em funcionamento. Esse dinheiro cobre despesas administrativas, contratos de serviços, contas e outras necessidades das embaixadas e consulados.

A demora na liberação desses valores provocou críticas entre funcionários, principalmente pela falta de previsibilidade para o pagamento de despesas pessoais.

Alguns trabalhadores também relataram pendências referentes a serviços prestados durante as eleições brasileiras no exterior. Entre as reclamações estão pagamentos adicionais que, segundo eles, ainda não haviam sido recebidos.

Embora os relatos indiquem dificuldades em diferentes representações, não há confirmação de que todas tenham enfrentado o mesmo atraso ou de que os serviços ao público tenham sido interrompidos.

Governo federal mantém restrições no orçamento de 2026

A situação ocorre em meio às medidas de contenção de despesas adotadas pelo governo federal.

Em setembro, o Ministério do Planejamento e Orçamento anunciou que a contenção total de despesas para 2026 havia sido reduzida para aproximadamente R$ 16,1 bilhões.

Desse montante, cerca de R$ 13,6 bilhões correspondiam a contingenciamento e R$ 2,4 bilhões a bloqueio de despesas.

O contingenciamento limita temporariamente a execução de determinados gastos para ajudar o governo a cumprir suas metas fiscais. Já o bloqueio está relacionado ao controle de despesas diante dos limites previstos nas regras orçamentárias.

As duas medidas fazem parte da administração do orçamento federal e podem afetar o momento em que recursos ficam disponíveis para diferentes órgãos.

No caso das representações brasileiras no exterior, fontes do Itamaraty relacionaram o atraso dos repasses às dificuldades burocráticas decorrentes dessas restrições.

Os documentos gerais do orçamento, entretanto, não identificam quais consulados foram atingidos nem demonstram individualmente o valor dos pagamentos pendentes.

Reclamações sobre pagamentos no Itamaraty já vinham de setembro

As dificuldades administrativas não começaram com os relatos do fim de outubro.

Em 22 de setembro, a Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros (ADB Sindical) informou que havia enviado um ofício ao Ministério das Relações Exteriores solicitando esclarecimentos sobre atrasos recorrentes no pagamento de diárias e ajuda de custo para remoções.

Esses pagamentos são destinados a despesas de servidores em viagens, mudanças e transferências relacionadas ao trabalho.

A entidade afirmou que funcionários não deveriam arcar pessoalmente com custos decorrentes de deslocamentos realizados por necessidade da administração pública.

No documento, a associação pediu esclarecimentos sobre os procedimentos adotados, os prazos de pagamento e as providências previstas para evitar novos atrasos.

A reclamação apresentada em setembro envolve despesas diferentes dos salários e custos de manutenção mencionados em outubro. Ainda assim, mostra que já existiam questionamentos sobre a regularidade de pagamentos no ministério.

Trabalhadores contratados no exterior enfrentam outras reivindicações

Os atrasos também ocorrem em um período de mobilização de trabalhadores contratados localmente pelas representações brasileiras.

Esses profissionais exercem funções administrativas, de apoio e de atendimento, contribuindo para as atividades realizadas por consulados e embaixadas.

Em agosto, funcionários de diferentes países participaram de uma mobilização para reivindicar melhores condições de trabalho, reajustes salariais e maior clareza sobre direitos trabalhistas.

Entre as principais reclamações estavam diferenças nas condições de contratação, salários considerados defasados e dificuldades relacionadas à legislação trabalhista aplicável em cada país.

Essas reivindicações são anteriores ao episódio de outubro e não significam que todas as unidades tenham deixado de pagar seus funcionários.

O novo atraso, porém, acrescentou uma preocupação imediata a uma discussão que já envolvia a remuneração e as condições de trabalho desses profissionais.

Consulado brasileiro em Boston foi afetado?

Para os brasileiros que vivem em Massachusetts e nos demais estados atendidos pelo Consulado-Geral do Brasil em Boston, a principal dúvida é se os atrasos podem prejudicar a emissão de documentos e os atendimentos presenciais.

Até o momento, não foi possível confirmar que a unidade de Boston esteja entre os postos atingidos pelos problemas de repasse. Também não há comprovação de suspensão de atendimentos ou alteração de prazos causada por essa situação.

O Consulado-Geral em Boston atende brasileiros residentes em Massachusetts, Maine, New Hampshire e Vermont.

A unidade continua disponibilizando orientações e solicitações de serviços por meio de seus canais oficiais. O atendimento presencial exige agendamento, com análise prévia da documentação nos procedimentos realizados pelo sistema eletrônico.

Quem precisa solicitar documentos pode consultar o e-consular de Boston e acompanhar as informações no site oficial do Consulado-Geral.

Não há orientação oficial para cancelar pedidos ou reagendar atendimentos por causa dos relatos de atraso nos repasses.

Quando os pagamentos devem ser normalizados?

As primeiras informações divulgadas em 30 de outubro indicavam que o governo esperava liberar os recursos pendentes durante a semana seguinte.

Relatos posteriores mencionaram que alguns funcionários poderiam receber os valores apenas nos dias 6 ou 9 de novembro. Essas datas, entretanto, não representam um cronograma oficial confirmado para toda a rede diplomática.

A situação ainda depende da efetiva liberação dos recursos e da confirmação dos pagamentos por cada unidade envolvida.

Até 3 de novembro, não havia sido publicada uma relação oficial dos postos atingidos nem um balanço consolidado dos valores pendentes e dos pagamentos regularizados.

Fonte:Veja (apuração sobre os repasses, 30 de outubro de 2026)(abre em nova aba)

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