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Brasileira de 20 anos era copiloto de avião que caiu na Flórida

Nathalia Gadelha Filgueiras conseguiu licença de piloto aos 17 anos, antes da carteira de motorista, e contou sua história em uma entrevista em 2023.

Da Redação

Jornalista

Publicado em

5 min de leitura

Nathalia Gadelha ao lado de aeronave da American Flyers
Neste artigo

A brasileira Nathalia Gadelha Filgueiras, de 20 anos, foi identificada pela família como a copiloto do avião que caiu na Flórida no domingo, 1º de novembro, matando nove pessoas. Três anos antes, ela já havia chamado a atenção por uma conquista incomum: aos 17 anos, conseguiu sua licença de piloto antes mesmo de tirar a carteira de motorista.

A história foi contada em 24 de outubro de 2023 à repórter Dani Travis, da CBS12. Na época, Nathalia cursava o último ano do ensino médio e já acumulava 88 horas de voo. Ela queria transformar a paixão pelos aviões em profissão, trabalhando em companhias aéreas ou pilotando jatos particulares.

Primeiro, a licença de piloto. Depois, a de motorista

Nathalia obteve a licença de piloto privado em setembro de 2023, enquanto estudava na West Boca Raton High School. A inversão da ordem habitual das conquistas adolescentes virou motivo de brincadeira entre ela e os colegas.

Na entrevista, contou que algumas pessoas estranhavam o fato de ainda não dirigir. Ela respondia com bom humor: “Sim, mas eu sei voar”, disse à CBS12, em declaração traduzida do inglês.

Ela própria achava engraçada a situação e admitia que também estava ansiosa para conseguir a habilitação de motorista. Naquele momento, o exame estava previsto para 17 de novembro de 2023.

O registro daquela conversa está disponível na entrevista original de Nathalia à CBS12, publicada quando sua história começou a ganhar atenção.

O pai e a escola ajudaram a transformar o interesse em conquista

A aproximação com a aviação começou em casa. Segundo Nathalia contou à emissora, seu pai passou a voar por lazer em 2018. A experiência dele despertou o interesse da filha, que começou a aprender sobre o assunto ainda adolescente.

Em 2020, ela iniciou as aulas teóricas de formação aeronáutica. O treinamento envolvia preparação para provas, estudo em sala, simuladores e voos práticos. Quando falou à CBS12, já havia completado 88 horas de voo.

Uma oportunidade decisiva veio da Aviation Academy, programa do distrito escolar de Palm Beach County. Conforme a reportagem de 2023, o distrito custeou a formação para que Nathalia obtivesse sua licença de piloto privado.

O programa havia começado com aulas teóricas eletivas e se tornado oficialmente uma academia em agosto daquele ano. Na época, atendia 125 alunos do ensino médio, com aulas, simuladores e treinamento com drones.

Para Nathalia, aprender a pilotar não era apenas uma atividade extracurricular. Ela já falava em seguir carreira na aviação e sabia que a licença privada era um primeiro passo. O documento permitia voar dentro de suas atribuições, mas não autorizava, sozinho, trabalhar como piloto remunerado.

Uma homenagem da escola de aviação

O entusiasmo de Nathalia também apareceu em uma publicação da American Flyers, escola de aviação com unidade em Pompano Beach. Em sua página oficial no LinkedIn, a instituição comemorou o fato de a jovem ter conquistado a licença de piloto antes da habilitação de motorista.

Na postagem, a American Flyers destacou o orgulho de tê-la entre seus alunos. A fotografia mostra Nathalia ao lado de uma aeronave identificada com a marca da escola, um registro de sua formação e da conquista que havia celebrado publicamente.

Veja a publicação original da American Flyers com a fotografia de Nathalia.

O sonho de trabalhar na aviação se tornou realidade

Aos 17 anos, Nathalia dizia à CBS12 que gostaria de voar profissionalmente, seja em uma companhia aérea ou na aviação executiva. Nos anos seguintes, continuou sua formação e passou a atuar como piloto.

Após o acidente, informações atribuídas à família em reportagens americanas indicaram que ela já acumulava aproximadamente 1.300 horas de voo e trabalhava profissionalmente na aviação havia cerca de nove meses. Esses números foram divulgados por familiares e não representam, nesta reportagem, uma consulta independente ao histórico de voo ou aos registros de habilitação.

A trajetória de Nathalia, que começou com aulas ainda no ensino médio, havia alcançado justamente o ambiente profissional com o qual ela sonhava na entrevista de 2023.

Família confirma que Nathalia estava no jato

Na segunda-feira, 2 de novembro, a família confirmou à CBS12 que Nathalia era a copiloto do Learjet 60 que caiu no dia anterior em Palm Beach County. A aeronave seguia do Texas para as Bahamas, e as nove pessoas que estavam a bordo morreram.

A identificação feita pela família deve ser distinguida da divulgação oficial das identidades pelas autoridades. A investigação sobre as causas da queda está a cargo do National Transportation Safety Board (NTSB), com participação das autoridades federais de aviação. Não há, neste texto, atribuição de responsabilidade a Nathalia nem conclusão sobre o que provocou o acidente.

Mais informações sobre a ocorrência e a investigação estão na reportagem da Em Boston sobre a queda do jato na Flórida.

Além dos relatos sobre o acidente, ficaram os registros da jovem falando com entusiasmo sobre suas primeiras horas de voo. Na entrevista de 2023 e na fotografia divulgada pela American Flyers, Nathalia aparecia no início da carreira que havia escolhido para si.

Fonte:CBS12 / WPEC (entrevista original, Dani Travis)(abre em nova aba)

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