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Greve de pós-graduandos de Harvard segue após reunião sem acordo

A próxima sessão está prevista para 20 de novembro. Salários, denúncias de assédio e licenças ligadas a vistos estão entre os pontos da disputa.

Da Redação

Jornalista

Publicado em

4 min de leitura

Greve dos pós-graduandos de Harvard em Cambridge
Neste artigo

A greve de pós-graduandos de Harvard continua após a primeira reunião entre o sindicato e a universidade desde o início da paralisação, em 27 de outubro. O encontro de quinta-feira (5) terminou sem acordo. Os calendários das duas partes indicam 20 de novembro como a próxima sessão. A negociação envolve salários, formas de denunciar assédio e garantias para trabalhadores que enfrentam problemas com vistos ou outros documentos de imigração.

O Harvard Graduate Student Union, ou HGSU-UAW, disse que chegou à reunião com propostas revistas e que a equipe da universidade encerrou a conversa antes do horário previsto, sem apresentar novas contrapropostas. Esse é o relato do sindicato. Em sua página sobre as negociações, Harvard registra propostas anteriores e afirma que segue disposta a negociar enquanto procura manter aulas e pesquisas.

Greve começou em 27 de outubro. Sindicato e Harvard voltaram à mesa em 5 de novembro. Próxima reunião prevista para 20 de novembro.
A próxima sessão de negociação está marcada para 20 de novembro nos calendários das duas partes. Crédito: Arte da Redação.

O que o sindicato pede para trabalhadores internacionais

O sindicato quer incorporar ao contrato regras para proteger documentos sensíveis, licenças para quem enfrenta atrasos de visto ou outras emergências migratórias e um procedimento para avisar a entidade se agentes do ICE forem ao campus. Também pede que Harvard exija mandado judicial antes de cooperar com o órgão, nos termos da proposta sindical.

Entre os exemplos descritos pelo HGSU-UAW estão dez dias úteis de licença remunerada por ano para compromissos de imigração, visto ou atendimento consular. A entidade também pede a opção de trabalho remoto para quem ficar retido fora dos Estados Unidos por atraso na emissão de documentos. Para um pesquisador brasileiro que precise renovar o visto e fique impedido de voltar na data prevista, essa cláusula trataria da continuidade do trabalho durante a espera. A medida segue em discussão.

Harvard informa que estudantes internacionais em tempo integral podem consultar o setor de ajuda financeira de sua escola sobre fundos de emergência. A universidade também propôs acesso a um plano jurídico subsidiado para trabalhadores assalariados representados pelo sindicato, com atendimento em questões migratórias. O plano faz parte da proposta da universidade.

Salários e denúncias de assédio

O sindicato reivindica um piso anual de US$ 55 mil para assistentes de pesquisa assalariados e reajustes anuais de 3% ou pela variação do custo de vida, o que for maior. A entidade também pede que denúncias de assédio, discriminação e intimidação possam ser examinadas por uma instância independente. Outra proposta prevê apoio financeiro na transição de pesquisadores que precisem deixar um laboratório por condições de trabalho inseguras.

Na proposta publicada por Harvard, o piso anual dos assistentes de pesquisa assalariados passaria a US$ 51.972 quando o contrato fosse ratificado. A universidade propõe aumentos de 3% em julho de 2027, 2028 e 2029. Para quem recebe por hora, o piso contratual, hoje de US$ 21, subiria a US$ 22,50 na ratificação e chegaria a US$ 24 em julho de 2029. Harvard também propõe equiparar o piso dos doutorandos assalariados que auxiliam no ensino ao dos assistentes de pesquisa.

Como a paralisação afeta o campus

A universidade estima que a unidade de negociação reúne cerca de 3.900 estudantes que trabalham em funções de ensino ou pesquisa. Isso inclui pessoas que coordenam atividades de disciplinas, corrigem trabalhos ou auxiliam em laboratórios. O sindicato orienta os grevistas a suspender tarefas do vínculo de trabalho e a manter as atividades exigidas pelo curso. A distinção pode depender das funções de cada estudante.

Harvard diz que espera manter as aulas e que as escolas ou os responsáveis pelas disciplinas devem avisar os alunos se houver mudanças. Em carta de 4 de novembro, a universidade relatou que o barulho de um piquete em frente a Emerson Hall interferiu em uma prova em 29 de outubro. Para quem cursa uma disciplina afetada, os comunicados do professor e os canais habituais da turma são onde a universidade prevê divulgar mudanças de horário ou formato.

Esta é a segunda paralisação do grupo em 2026. A anterior começou em 21 de abril e terminou em 1º de junho sem um novo contrato, segundo Harvard. Além de 20 de novembro, a universidade lista reuniões para 3 e 17 de dezembro. Essas datas são para negociação. O fim da greve depende das decisões do sindicato e do andamento das conversas.

Fonte:Harvard Graduate Student Union e Universidade Harvard(abre em nova aba)

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