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Rubio nega ajuda dos EUA na saída de Flávio Bolsonaro; Trump diz que ele pode ficar

Secretário de Estado diz que o senador entrou com parole autorizado por Trump; no Brasil, a PF investiga o descumprimento da ordem do STF

Da Redação

Jornalista

Publicado em

5 min de leitura

Flávio Bolsonaro, de camiseta amarela, ergue um quadro com retrato de Jair Bolsonaro com a faixa presidencial
Neste artigo

O governo dos Estados Unidos nega ter ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil. A declaração foi dada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em Atlanta, no sábado, 31 de outubro. Segundo ele, o senador entrou no país com autorização do presidente Donald Trump e recebeu um parole na chegada.

"Nós não facilitamos nada", afirmou Rubio. A frase consta da transcrição oficial publicada pelo Departamento de Estado. Ele falou durante uma entrevista coletiva no encontro de chanceleres do G20.

Flávio perdeu o segundo turno da eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro. Dias depois, deixou o Brasil apesar de uma ordem judicial que o proibia de sair do país. Ele chegou a Miami, na Flórida, com a esposa e as duas filhas.

O que Marco Rubio disse sobre Flávio Bolsonaro

A pergunta veio de um jornalista na coletiva. Ele quis saber se os Estados Unidos ajudaram Flávio Bolsonaro a fugir do Brasil. Rubio respondeu que o governo americano soube da chegada do senador ao país.

"Ele já tinha um visto", disse o secretário. Segundo Rubio, Trump decidiu permitir a entrada do senador no país. Em seguida, ele fez uma ressalva. "Não estivemos envolvidos em nenhum dos arranjos que ele fez para sair", declarou.

Rubio também foi além. Segundo ele, Trump já tinha deixado claro que Flávio receberia um parole se chegasse a um posto de entrada americano. "E foi o que aconteceu", completou.

Na mesma resposta, o secretário contou que esteve com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, em Atlanta. Os dois conversaram na sexta e no sábado. Rubio disse ainda que espera rever Vieira na França, durante encontro do G7.

O próprio Departamento de Estado divulgou o vídeo completo da coletiva no X:

Trump diz que senador pode ficar nos EUA

No mesmo sábado, Trump falou sobre o caso a jornalistas na Flórida. Ele disse que não tem planos de se encontrar com Flávio. Mesmo assim, defendeu o senador e repetiu críticas à eleição brasileira.

"Ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser", afirmou o presidente americano. Trump também disse que Flávio foi tratado "de forma muito injusta".

A ordem do STF e a nota da Polícia Federal

No Brasil, Flávio é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro. Ele nega qualquer irregularidade. Segundo a Polícia Federal, o pedido de medidas cautelares foi feito em 25 de outubro, dia do segundo turno.

A PF pediu a apreensão dos passaportes e a proibição de saída do país. O motivo, segundo a corporação, foi o risco de fuga. O ministro Alexandre de Moraes atendeu ao pedido no dia seguinte.

Em nota oficial de 28 de outubro, a PF informou que os passaportes comum e diplomático do senador foram cancelados. Ele também foi intimado a entregar, em 24 horas, passaportes de outras nacionalidades. Isso não aconteceu, segundo a PF.

A corporação disse ainda que não há registro oficial de saída de Flávio pelos postos de controle migratório brasileiros. Por outro lado, a própria PF ressaltou que restrições de documentos não tornam alguém foragido. A investigação sobre o descumprimento das ordens continua.

O que Flávio Bolsonaro diz

Desde que chegou aos Estados Unidos, o senador usa as redes sociais para se defender. No domingo, 1º de novembro, ele publicou uma "Nota ao Brasil". No texto, afirma ser alvo de perseguição judicial.

"Não saí do Brasil, saí pelo Brasil!", escreveu. Ele também diz que, nos Estados Unidos, pode "manifestar livremente" sua opinião. Além disso, promete dar entrevistas a veículos nacionais e internacionais nos próximos dias.

Nesta segunda, 2 de novembro, ele voltou a se manifestar. "Fiz o que achava certo, necessário e com muita fé", publicou o senador.

Entenda o parole que Flávio recebeu

O parole não é visto nem green card. Segundo o USCIS, o serviço de imigração americano, é uma autorização temporária para a pessoa ficar no país. Ela vale por razões humanitárias urgentes ou por benefício público relevante.

Quem entra com parole não é considerado formalmente admitido pela lei de imigração. O USCIS diz que a autorização costuma durar até um ano. O governo pode renovar o prazo ou revogar o benefício a qualquer momento.

A regra é a mesma para qualquer estrangeiro. Por isso, o caso chama atenção de muitos imigrantes brasileiros em Massachusetts. Enquanto isso, outros brasileiros seguem sendo deportados. Em outubro, um voo com 85 brasileiros deportados chegou a Confins, em Minas Gerais.

Eleição dividiu os brasileiros de Boston

A disputa presidencial mexeu com a comunidade brasileira na região. No primeiro turno, os eleitores de Boston deram 69,77% dos votos válidos a Flávio. No Brasil, porém, Lula venceu e conquistou o quarto mandato.

A reta final foi apertada. Antes do segundo turno, o Datafolha chegou a mostrar Lula e Flávio empatados com 50% dos votos válidos. Agora, o senador derrotado está em solo americano, enquanto o caso dele segue aberto no STF.

Fontes: Departamento de Estado dos EUA (transcrição da coletiva de Marco Rubio), Polícia Federal (nota à imprensa de 28 de outubro), USCIS (regras do parole humanitário) e perfil oficial de Flávio Bolsonaro no X.

Crédito da imagem: capa, reprodução X @CarlosBolsonaro.

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Fonte:Departamento de Estado dos EUA(abre em nova aba)

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