Pesquisa Quaest: 56% acham que Flávio saiu do Brasil para fugir da Justiça
O levantamento ouviu 2.004 eleitores após o segundo turno e foi divulgado neste domingo
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56% dos brasileiros acham que Flávio Bolsonaro deixou o país para fugir da Justiça. A pesquisa Quaest foi divulgada neste domingo, 8 de novembro.
Outros 35% avaliam que ele foi aos Estados Unidos para evitar uma perseguição política. O G1 e o Valor publicaram o levantamento nesta manhã.
A Carta Capital detalha o restante das respostas sobre o motivo da viagem. 2% não escolheram nenhuma das duas opções. Outros 7% não souberam ou não quiseram responder.
Como foi feita a pesquisa
A pesquisa se chama "O Brasil depois das urnas". A Quaest ouviu 2.004 eleitores a partir dos 16 anos.
As entrevistas foram presenciais e ocorreram em todo o país. O trabalho de campo foi de 30 de outubro a 2 de novembro.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, segundo o Valor.
A maioria reprova a viagem aos Estados Unidos
89% dos entrevistados souberam que Flávio Bolsonaro foi para os Estados Unidos. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, comentou o índice.
Ele disse ao G1 que esse foi o maior conhecimento já registrado em pesquisas recentes. O número superou o escândalo do Banco Master.
Também ficou acima do caso envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Superou ainda a reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores em 2022.
Entre quem soube da viagem, 62% consideram que Flávio Bolsonaro agiu de maneira errada. Para 29%, a decisão de deixar o Brasil foi correta.
Outros 9% não souberam ou preferiram não responder, segundo o G1. A leitura se divide conforme o campo político.
Entre eleitores bolsonaristas, 90% entendem que a decisão foi certa. Entre eleitores de Lula, 92% dizem que ela foi errada.
Entre os independentes, 63% discordam da atitude, segundo o Valor. O G1 também viu divisão na direita.
Metade desse grupo acha que ele errou ao deixar o Brasil. Nesse recorte entra parte de quem votou em Flávio Bolsonaro no segundo turno.
O que pensam os eleitores dele
Quem votou no senador no segundo turno lê o episódio de outro modo. 65% desse grupo atribuem a saída à ideia de perseguição política.
Outros 29% desses eleitores acreditam que ele quis escapar da Justiça. Os percentuais constam do levantamento publicado pelo Valor.
O comportamento após a derrota
A Quaest também perguntou como Flávio Bolsonaro se comportou diante do resultado. 60% disseram que ele se comportou mal.
25% consideram que ele se comportou bem. 9% disseram que não foi nem bem, nem mal, segundo o Valor.
Entre eleitores bolsonaristas, 92% dizem que ele se comportou bem. Entre lulistas, 91% avaliam que ele se comportou mal.
Entre os independentes, 71% consideram o comportamento negativo.
Em dezembro de 2022, a Quaest fez a mesma pergunta sobre Jair Bolsonaro. Naquela época, 45% afirmaram que o então presidente se comportou mal após perder.
41% disseram que ele reagiu bem. 8% ficaram neutros, de acordo com o Valor.
O pai do senador também recusou reconhecer o resultado das urnas em 2022. Ele deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos antes da posse de Lula.
Naquele ano, Jair Bolsonaro não passou a faixa presidencial ao sucessor.
A carta em que ele se declarou presidente
70% das pessoas ouvidas já sabiam de uma carta publicada por Flávio Bolsonaro. O texto saiu depois que ele chegou aos Estados Unidos.
Nessa carta, ele afirmava que as eleições foram fraudadas. Ele também se apresentava como o "verdadeiro presidente eleito do Brasil".
Depois, corrigiu o texto. Passou a se apresentar como o "líder do país", segundo o Valor.
60% consideram que ele agiu mal diante do resultado eleitoral. O G1 e o Valor registram esse percentual.
O questionamento de Flávio Bolsonaro ao resultado é reprovado por 59%. Outros 34% aprovam a atitude do candidato derrotado.
Entre eleitores dele, a aprovação sobe para 72% e a desaprovação cai para 21%. No grupo de eleitores de Lula, a desaprovação chega a 93%.
A maioria vê eleição limpa
61% dos entrevistados acham que as eleições foram limpas e justas. 30% respondem que elas foram fraudadas, segundo o Valor.
A suspeita de fraude predomina entre eleitores de Flávio Bolsonaro. 64% desse grupo desconfiam do processo eleitoral.
Já entre eleitores de Lula, 93% acreditam na lisura do sistema.
O Valor lembra que o Tribunal Superior Eleitoral reconheceu o resultado. Observadores internacionais acompanharam o pleito.
Aliados de Flávio Bolsonaro disseram não ter provas de eventual fraude. Esse recorte de desconfiança se aproxima do registrado em 2022, segundo o G1.
Como a saída aconteceu
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes. O ministro determinou que ele entregasse seus passaportes.
Ele descumpriu a ordem, segundo o G1 e o Valor. Entrou por terra na Argentina e de lá embarcou num avião particular para os Estados Unidos.
Uma foto publicada pelo G1 mostra o desembarque perto de Miami em 28 de outubro. O Valor afirma que a ida ocorreu dois dias após o segundo turno.
Não havia ordem de prisão contra o senador, de acordo com o Valor. Mesmo assim, ele deixou o Brasil temendo ser preso.
No pedido de apreensão dos passaportes, a Polícia Federal alertou para o risco de fuga.
O Em Boston já detalhou a fala do secretário de Estado Marco Rubio sobre essa viagem. Rubio negou que os Estados Unidos tenham ajudado na saída.
O presidente Donald Trump disse que o senador pode ficar no país.
O que o STF investiga
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. As apurações envolvem suspeitas, e não condenações.
Uma investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, mira o financiamento do filme "Dark Horse". A produção trata da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A apuração examina repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção. O G1 descreve suspeitas de irregularidades nesse financiamento.
Outra investigação tramita com o ministro Alexandre de Moraes. Ela apura se o senador teria usado uma casa de apostas para lavar dinheiro.
A Polícia Federal quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro. Segundo o G1, e-mails apontavam o senador como "usuário master" de uma conta da Alcazar Holdings.
A PF afirma haver indícios de controle de Tomaz sobre a Rede Loto. Essa casa de apostas foi a primeira a obter autorização da Loterj no Rio de Janeiro.
O Valor resume as suspeitas como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O mandato e o foro no STF
O mandato de senador de Flávio Bolsonaro termina em 2027. Com a derrota, ele deixará de exercer um cargo público eletivo.
Assim, ele pode perder o foro privilegiado ligado ao mandato de senador. Ainda assim, as investigações podem permanecer no STF.
Em 2025, o tribunal decidiu manter o foro em certos casos. Isso vale quando o crime investigado ocorreu durante o cargo e se relaciona às funções exercidas.
O que isso diz a quem mora em Massachusetts
Muitos brasileiros em Massachusetts acompanharam a eleição de perto. No primeiro turno, o posto de Boston deu ampla vantagem a Flávio Bolsonaro.
O Em Boston mostrou como o posto de Boston votou no primeiro turno. A fatia local chegou a 69,77% dos votos válidos.
Antes do segundo turno, pesquisas nacionais apontavam uma disputa apertada. O Datafolha chegou a registrar empate em 50% dos votos válidos para Lula e Flávio Bolsonaro.
Lula venceu o segundo turno em 25 de outubro. A pesquisa de agora mede a reação à derrota e à viagem, não intenção de voto.
Os sentimentos após o resultado
A Quaest também perguntou qual sentimento melhor descrevia a reação à reeleição de Lula. Alegria ficou em primeiro lugar, com 18%.
Em seguida vieram alívio (14%), esperança (12%) e decepção (10%). Confiança e preocupação empataram com 8% cada.
Indiferença e revolta tiveram 6% cada. Tristeza e insegurança ficaram com 5% cada.
Raiva e medo tiveram 2% cada, e ansiedade teve 1%. 1% citou outro sentimento, e 2% não responderam.
Alegria, alívio, esperança e confiança aparecem com mais força entre apoiadores de Lula. Entre apoiadores de Bolsonaro, sobressaem revolta, decepção, tristeza e raiva.
Crédito da imagem: capa, Carlos Moura / Agência Senado (CC BY-SA 4.0). Informações: pesquisa Quaest divulgada pelo G1, pelo Valor e pela Carta Capital.
Fonte:G1(abre em nova aba)




