Jovens imigrantes em lares adotivos de MA recebem ordens de deportação
Ascentria, de Worcester, diz que a maioria dos menores que atende já tem ordem de deportação. Jim McGovern promete audiências no Congresso
Jornalista
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Jovens imigrantes que vivem em lares adotivos de Massachusetts estão recebendo ordens de deportação. Muitos chegaram sozinhos aos Estados Unidos. Parte deles já tinha proteção humanitária aprovada pelo governo federal.
O alerta parte da Ascentria Care Alliance, de Worcester. A organização administra o único programa de acolhimento familiar do estado para menores refugiados e imigrantes desacompanhados. Segundo a equipe, a maioria das crianças atendidas hoje já tem ordens de deportação. A mais nova tem 14 anos.
Na quinta-feira, 5 de novembro, funcionários e famílias acolhedoras fizeram uma entrevista coletiva em Worcester. O deputado federal Jim McGovern participou. De acordo com o portal This Week in Worcester, ele prometeu audiências no Congresso a partir de janeiro.
O que mudou para quem tem o status SIJ
O centro do problema é o Special Immigrant Juvenile Status, conhecido como SIJ. O Congresso criou essa proteção em 1990. Ela vale para crianças que sofreram abuso, abandono ou negligência de um dos pais ou dos dois.
Para conseguir o status, o jovem precisa de uma decisão de um tribunal estadual. O juiz tem de concluir que voltar ao país de origem não atende ao interesse da criança. Depois, o USCIS precisa aprovar o pedido.
A fila de vistos é longa. Por isso, jovens aprovados costumam esperar anos para pedir o green card. Durante essa espera, a imigração costumava adiar qualquer medida de deportação.
Essa prática acabou neste ano. Em 10 de abril, o USCIS publicou um memorando que encerrou a análise automática de deferred action para esses jovens. A medida era uma proteção temporária contra a deportação, adotada em 2022.
Desde então, juízes de imigração passaram a emitir ordens de deportação contra jovens com o SIJ aprovado. A advogada Angela Snyder, supervisora do programa jurídico da Ascentria, descreveu o cenário à GBH News.
São crianças vítimas de abuso extremo, abandono, negligência e tráfico. A fuga para os Estados Unidos foi a única opção para elas.
Audiências mais cedo e faltas na escola
A GBH News contou a história de Elia, de 17 anos, nascida na América Central. Ela tem o SIJ e vive com uma família acolhedora há quase dois anos. Neste outono, Elia participou de uma audiência virtual numa sala da Ascentria em Worcester.
O juiz de imigração Omar Karram ordenou a deportação dela. A ordem saiu da corte de imigração de Chelmsford. Ela está suspensa enquanto a defesa recorre.
Segundo a Ascentria, mais crianças agora perdem aulas para comparecer a audiências. A equipe também diz que o escritório de asilo antecipou entrevistas de propósito. Até agora, nenhum jovem do programa foi deportado. Os recursos seguem pendentes.
Uma mãe acolhedora identificada apenas como Grace falou na coletiva. Um dos filhos dela recebeu uma notificação de deportação. Na manhã seguinte à eleição de 3 de novembro, ele perguntou no café da manhã se já estava seguro.
Ainda não, meu amor. Ainda não chegamos lá. Mas temos esperança.
Os números citados por McGovern
McGovern citou dados do Acacia Center for Justice. A taxa de ordens de deportação contra crianças desacompanhadas era de 28% em média no governo Biden. Ela subiu para 48% em 2025. Nos primeiros oito meses de 2026, chegou a 69%.
O deputado também criticou o fim do contrato federal de assistência jurídica para essas crianças. O acordo com o Acacia e uma rede de quase 100 entidades venceu em 31 de julho.
Em outubro, as cortes de imigração de Massachusetts mandaram deportar 62 pessoas que chegaram sozinhas ao país. O dado é do portal The Shoestring, citado pelo This Week in Worcester.
McGovern disse que vai trabalhar com as comissões de Justiça e de Fiscalização da Câmara. Os democratas retomaram o controle da Câmara e do Senado na eleição de 3 de novembro. O novo Congresso toma posse em 3 de janeiro de 2027.
O que diz o governo de Massachusetts
Dois órgãos administram o programa estadual de menores refugiados desacompanhados. Um é o DCF, o Departamento de Crianças e Famílias. O outro é o Escritório de Refugiados e Imigrantes, o ORI. Os dois ficam sob a secretaria estadual de Saúde e Serviços Humanos.
Um porta-voz do DCF afirmou à GBH News que o governo federal sempre foi responsável pela assistência jurídica dessas crianças. Segundo ele, o governo Trump cortou esse dinheiro e derrubou proteções antigas contra a deportação.
O porta-voz disse que o estado tenta garantir acesso a advogados por três caminhos. São eles a Massachusetts Access to Counsel Initiative, o balcão de ajuda do ORI e organizações contratadas. A ajuda inclui jovens sob a guarda do DCF e outros menores desacompanhados com SIJ.
O que isso significa para famílias imigrantes
A mudança atinge jovens que já tinham decisão de um juiz estadual e aprovação do USCIS. Por isso, famílias com filhos no processo de SIJ devem procurar um advogado de imigração antes de qualquer audiência.
Uma ordem de deportação pode ser contestada. O caso de Elia mostra que o recurso suspende a ordem enquanto é analisado. Ainda assim, cada processo tem prazos próprios.
A comunidade imigrante em Massachusetts já acompanha outras mudanças recentes. Entre elas estão as novas regras para prisões do ICE nos tribunais do estado e o alerta das escolas de Chelsea sobre atividade do ICE.
Brasileiros que precisam de apoio consular também podem procurar o Consulado-Geral do Brasil em Boston. O plantão de emergência atende pelo telefone +1 617 816-6315.
Crédito da imagem: capa, U.S. House Office of Photography / Wikimedia Commons (domínio público). Informações: GBH News, This Week in Worcester, MassLive e USCIS.
Fonte:GBH News(abre em nova aba)



