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Golpe com voz clonada teria custado US$ 4,6 milhões a empresa de MA

Denúncia federal aponta que três homens se passaram por executivos e advogados para induzir funcionários a transferir dinheiro.

Da Redação

Jornalista

Publicado em

4 min de leitura

Fraude com clonagem de voz e prejuízo em Massachusetts
Neste artigo

Uma gestora de fundos com sede em Massachusetts teria perdido US$ 4.639.918 em um esquema que usava inteligência artificial para imitar executivos e convencer funcionários a transferir dinheiro. O valor aparece em uma acusação federal divulgada na quinta-feira, 5 de novembro, em Nova York. Segundo a promotoria, empresas de vários países perderam juntas mais de US$ 129 milhões.

O Departamento de Justiça não divulgou o nome da gestora de Massachusetts no comunicado sobre o caso. A perda citada é da empresa. O documento público da promotoria não informa se houve prejuízo direto para os cotistas. Um banco com sede em Rhode Island também aparece entre as vítimas citadas, com perda estimada em US$ 2,68 milhões.

O suposto chefe pedia ajuda com uma operação sigilosa

Segundo a acusação apresentada à Justiça Federal, o esquema operou entre 2024 e 2026. O grupo procurava funcionários de empresas e se passava por seus diretores executivos. O pedido parecia vir de alguém com autoridade para aprovar despesas: o suposto chefe dizia precisar de ajuda com uma operação financeira confidencial. Em chamadas com o funcionário, os acusados teriam usado IA para imitar a voz, a imagem ou ambas.

Em seguida, a pessoa que fingia ser o diretor encaminhava o funcionário a um suposto advogado de um grande escritório. A acusação diz que outro integrante do grupo assumia esse papel e indicava a conta para receber a transferência. A participação de um segundo interlocutor ajudava a dar aparência de legitimidade à operação. Depois que o dinheiro chegava às contas controladas pelo grupo, os acusados teriam convertido os valores em criptomoedas para esconder a origem dos recursos.

A Promotoria Federal do Distrito Sul de Nova York acusa Jacob Soall, Sharon Hazan e Guy Sheetrit de crimes que incluem fraude por meios eletrônicos, roubo de identidade agravado e lavagem de dinheiro. Soall e Hazan foram presos na Espanha, em junho e agosto, respectivamente. Sheetrit foi preso no Reino Unido em setembro. Segundo a promotoria, os pedidos de extradição estão pendentes. Os três são presumidos inocentes enquanto o caso tramita.

O relatório anual do FBI sobre crimes na internet registra mais de US$ 30 milhões em perdas relatadas em 2025 por empresas que identificaram uso de IA em fraudes de pagamento por comunicação corporativa. A cifra vem de denúncias ao FBI e mede um conjunto diferente de ocorrências do total atribuído aos três acusados.

Como conferir um pedido de pagamento

O Internet Crime Complaint Center, do FBI, orienta empresas a confirmar mudanças nos dados bancários por um canal separado. Isso vale para uma pequena empresa em Massachusetts que recebe uma mensagem de um fornecedor dizendo que a conta mudou, por exemplo. Antes de pagar, a pessoa responsável pode ligar para o número que já usava para falar com o fornecedor e pedir que ele confirme os novos dados. O número enviado na própria mensagem pode levar de volta a quem fez o pedido.

Quadro orienta a conferir o pedido, confirmar por um telefone conhecido e ligar ao banco se o dinheiro já saiu
Três medidas para verificar um pedido de pagamento ou reagir a uma transferência suspeita, com base nas orientações do FBI. Crédito: Arte da Redação.

A mesma checagem vale para pedidos internos. Imagine que uma mensagem de voz atribuída ao dono da empresa peça uma transferência urgente e solicite que a equipe mantenha sigilo. Quem cuida do pagamento pode interromper a conversa, ligar para o número já cadastrado do dono e seguir o procedimento de aprovação da empresa. O alerta do FBI sobre fraudes com IA descreve o uso de áudio e vídeo sintéticos justamente para fazer esse tipo de contato parecer verdadeiro.

A Comissão Federal de Comércio também recomenda que pequenos negócios orientem os funcionários a reconhecer falsos pedidos de pagamento. Uma medida prática é combinar de antemão quem pode alterar o cadastro de um fornecedor e quem precisa confirmar a mudança. Assim, a pessoa que recebe uma mensagem inesperada sabe a quem recorrer antes de autorizar o pagamento.

Se a transferência já saiu

O FBI orienta a avisar imediatamente o banco que enviou o dinheiro e pedir uma tentativa de recuperação da transferência. Também é possível registrar o caso em IC3.gov. Guarde a mensagem original, os dados da conta de destino e o comprovante de pagamento para incluir no relato. Para informações específicas sobre o caso denunciado em Nova York, a promotoria indicou o canal tips.fbi.gov.

Fonte:Promotoria Federal do Distrito Sul de Nova York, FBI e FTC(abre em nova aba)

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